A alegria de sexta-feira

O que eu mais ouço na sexta-feira são os seguintes comentários (e não vou mentir: eu já disse isto): “Enfim, chegou sexta-feira! ”, “O grande dia chegou! ”, “Agora eu vou poder descansar! ”. Mas por que apenas sexta-feira precisa ser O dia?

Sei que para algumas pessoas sexta-feira não é o melhor momento, pois sua folga é em outros dias da semana. Mas a questão é: por que as pessoas consideram o grande dia aquele que normalmente nós não trabalhamos? Passamos a maior parte do nosso dia a dia no trabalho – é como um casamento!

Trabalhei com recrutamento e me assustava com a quantidade de pessoas que tinha dificuldade de dizer o motivo de ter escolhido aquela profissão. Não havia um sentido, um valor para a sua atividade. Para algumas pessoas o trabalho é relacionado com sofrimento, mas na verdade se olharmos a origem, há realmente esta ligação:

“Para a língua portuguesa, a palavra trabalho se origina do latim, tripalium, que era um instrumento feito de três paus aguçados, algumas vezes munidos com ponta de ferro. (…) A tripalium (…) significa torturar. Trabalho, no sentido geral, significa realizar uma obra que expresse resultados, que traga reconhecimento social e permaneça além da vida, como também é sinônimo de esforço rotineiro e repetitivo, sem liberdade, de resultado consumível e incômodo inevitável (MARTINS e PINHEIRO, 2006, p.79 e 80).

Portanto, sabemos que culturalmente temos uma relação árdua com o trabalho. A semana possui 7 dias e dedicamos apenas 2 dias da nossa semana a nós (quando fazemos). Então: você acha justo fazer isto com você? Parece algo simples e óbvio o que vou dizer, mas as pessoas esquecem: a única certeza que temos é deste segundo, de hoje. Então, por que adiar os sonhos? Por que adiar as suas vontades? As pessoas vivem para o futuro, enquanto o futuro deveria ser hoje.

Que tal você começar a fazer o seu grande dia ser hoje? Não pelo fato de ser sexta-feira! Mas sim, porque é hoje e você merece! Faça todos os dias serem sexta. Dê sentido, significado para suas atitudes. Assim, a vida terá mais valor.

Referências:

MARTINS, José Clerton de Oliveira e PINHEIRO, Adriana de Alencar Gomes. Sofrimento psíquico nas relações de trabalho. Psic [online]. 2006, vol.7, n.1, pp. 79-85. Link: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S1676-73142006000100010&script=sci_arttext

Amanda Fornaciari Augusto – Psicóloga CRP 06/118369

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