A minha vida com WhatsApp: uma reflexão

Antes de começar a ler, minha sugestão é: veja primeiro o vídeo 😉

A Cia Barbixas de Humor com o vídeo: “WhatsAppeando sem parar – Episódio 01: Restaurante” nos ajudará a refletir sobre as novas formas de comunicação – neste caso: o WhatsApp.

De acordo com Consentino (2006), a interação face-a-face/presencial é diferente da interação dos meios de comunicação eletrônica (exemplos: e-mail, chats, etc).  Observamos que o mundo virtual busca sempre se aproximar ao mundo não-virtual, pois os programas de comunicação eletrônica usam recursos visuais e sonoros para desenvolver mais a comunicação via texto. Assim, “alguns softwares disponibilizam uma infinidade de sons e animações que simulam gestos e expressões humanas através de agentes eletrônicos (CONSENTINO, 2006)”. E foi isto que o WhatsApp trouxe, como foi observado no vídeo. Mas claro, há também outros aplicativos para se comunicar.

O WhatsApp aproxima as pessoas e facilita a comunicação, por outro lado também pode distanciar e até prejudicar o diálogo – como foi visto no vídeo quando o namorado pedi a namorada em casamento e o corretor automático ao invés ajudá-los, atrapalhou. Outro ponto que podemos refletir com o vídeo é a questão de que há pessoas que usam o aplicativo para se comunicar mesmo quando elas estão no mesmo ambiente. Entretanto, quem deveria se comunicar por WhatsApp seriam as pessoas que estão distantes. Esta é uma situação para se pensar.

O assunto é extenso, complexo e novo. Há muitos estudos na área da Psicologia sendo realizados para compreender justamente estas transformações que podem ocorrer no indivíduo. A minha ideia é fazer com que vocês reflitam sobre o significado e o sentido desta forma de comunicação, pois qualquer comportamento exagerado é um sinal de alerta, como foi o caso do vídeo. Buscamos o equilíbrio na nossa vida e sabemos o quanto é difícil este resultado.

“Não parece haver dúvidas de que nossos comportamentos e hábitos podem sofrer alterações em função do desenvolvimento de novas tecnologias. O difícil é perceber que algumas tecnologias têm impactos bem mais profundos sobre os seres humanos que a ela são expostos, chegando mesmo, embora em raros casos, a gerar transformações internas radicais (COSTA, 2002, p.193)”.

Portanto, dependência de internet é real e precisa ser cuidada. De acordo com a pesquisa de Abreu et al (2008), quem apresenta dependência de internet apresenta comportamentos específicos:

“(…) fazendo com que os indivíduos literalmente troquem a vida real pela vida virtual (dentro da Internet), pois encontram mais satisfação nesse mundo anônimo do que aquela desfrutada no mundo real (estão escondidos atrás da tela). Os dependentes de qualquer idade usam a rede como uma ferramenta social e de comunicação, pois têm uma experiência maior de prazer e de satisfação quando estão conectados (experiência virtual) do que quando não conectados. Tais pacientes não mais se alimentam regularmente, perdem o ciclo do sono, não saem mais de casa, têm prejuízo no trabalho e nas relações pessoais, se relacionam somente com conhecidos do mundo virtual etc. Dessa maneira, (…) essas pessoas chegam a ficar conectadas por mais de 12 horas por dia (…) (ABREU et al, 2008, p.165).

Assim, nós precisamos refletir sobre o que queremos com esta forma de comunicação, pois às vezes uma comunicação presencial será mais interessante, ou não, a virtual naquele momento te ajudará mais. Tudo é questão de refletir e saber dar limite quando necessário.

Obs. Caso você esteja passando por estas situações (dependência de internet ou jogos eletrônicos) ou qualquer outro sofrimento procure um psicólogo. Ele poderá te acolher e refletir com você sobre suas questões.

  • Este texto é informativo, não substitui um processo de psicoterapia!

Referências:

ABREU et al. Dependência de Internet e de jogos eletrônicos: uma revisão. Revista Brasleira Psiquiátrica. 30(2) p. 156-67, 2008. Link: http://www.scielo.br/pdf/rbp/v30n2/a14v30n2.pdf

CONSENTINO, L. A. M. (2006) Aspectos evolutivos da interação homem máquina: tecnologia, computador e evolução humana. In: O. Z. Prado; I. Fortim & L. A. M. Cosentino (org.). Produções do III Psicoinfo e II Jornada do NPPI. São Paulo: Conselho Regional de Psicologia de São Paulo. Link:file:///C:/Users/josé/AppData/Local/Microsoft/Windows/INetCache/IE/IS79PFZV/Aspectos%20evolutivos%20da%20interação%20homem%20máquina.pdf

COSTA, A.M.N. Revoluções Tecnológicas e Transformações Subjetivas. Psicologia: Teoria e Pesquisa. Vol. 18 n. 2, pp. 193-202, mai-ago, 2002. Link: http://www.scielo.br/pdf/ptp/v18n2/a09v18n2.pdf

Amanda Fornaciari Augusto – Psicóloga CRP 06/118369

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