O suicídio é real

O suicídio ainda é um tabu, pois a sociedade não gosta e não quer ouvir falar sobre a morte (BERENCHTEIN NETTO, 2013). Assim, com o objetivo de olharmos mais para este assunto e discutirmos sobre a prevenção do suicídio, o mês de setembro ficou simbolizado como o Movimento Setembro Amarelo pela Associação Internacional pela Prevenção do Suicídio (IASP – International Association for Suicide Prevention).

A Organização Mundial da Saúde estima que 800 mil pessoas se suicidam por ano em todo o planeta. Portanto, o suicídio é uma questão de saúde pública, não é algo isolado e raro.

Vivemos em uma sociedade capitalista que exige um padrão de vida e se estivermos fora destas regras somos excluídos. Assim, há o sentimento de frustração e as pessoas não estão preparadas para sentir isto (RIGO, 2013), Afinal, dizem que devemos ser sempre felizes que nem propaganda de margarina. E isto é impossível. Então, que sociedade é esta que estamos criando?

A sociedade fala muito sobre a vida, sobre o futuro, sobre o amanhã e, às vezes, parece que vamos viver para sempre. E o suicídio nos traz a questão: como alguém quer tirar sua própria vida?

suicidio

O suicídio “é uma manifestação humana, uma forma de lidar com o sofrimento, uma saída para livrar-se da dor de existir. Por essa razão, considero o suicídio uma carta na manga, isto é, aquilo de que o sujeito pode dispor quando a vida lhe parecer insuportável (RIGO, 2013, p. 31).

Há vários fatores que podem causar o suicídio – é um tema complexo e é preciso ser visto como um todo, ou seja, biopsicossocial. Parece óbvio isto, mas infelizmente, há profissionais que rotulam os pacientes, por exemplo: se ele tem ideia suicida, ele tem transtorno psiquiátrico. Ou vice-versa. Ter um sofrimento psíquico, não é necessariamente ter um transtorno psiquiátrico (BERENCHTEIN NETTO, 2013). Precisamos apenas ter o cuidado para não generalizar e rotular as pessoas.

Podemos dizer que o indivíduo que possui ideia suicida “por vezes, (…) não quer se matar.  Quer, antes, eliminar a dor, diminuir o sofrimento e, por isso, busca, de repente, um método que o leva a morte (WERLANG, 2013, p. 26) ”.

Como perceber que a pessoa quer se suicidar?

  • Muitas vezes a pessoa não falará que quer se matar por vergonha ou medo. Afinal, a sociedade tem aquela ideia: “ É para aparecer. Frescura”. E não é!
  • A pessoa muda o seu comportamento: se isola, faz mais uso de álcool e outras drogas, fica mais apática, entre outras.
  • Os comportamentos não são sempre claros, por isso a importância do diálogo. Aquela conversa: “Não é nada”. Na verdade, pode ser muita coisa. Por isso, a importância de oferecer um espaço de escuta e acolhimento, sem julgamento.

Como prevenir o suicídio?

A psicóloga Werlang (2013) nos traz algumas orientações:

  • Família – a família precisa saber conversar sobre este tema com o seu filho de uma forma natural. Não deve omitir a existência da morte – as crianças possuem recursos psíquicos para lidar com estas situações.
  • Escola – este tema pode ser discutido desde as pré-escolas, em questões, como por exemplo: valorização da vida. Podem ser realizados programas psicoeducativos e trabalhar com temas sobre fraternidade, harmonia e respeito. Estes assuntos, quando trabalhados de forma correta, podem ajudá-los a enfrentar momentos difíceis.
  • Profissionais da saúde – todos os profissionais da saúde precisam estar treinados para observar quando há um risco de suicídio e assim juntos oferecerem o melhor apoio terapêutico ao paciente.
  • Outros profissionais – por exemplo: o engenheiro e o arquiteto ao criarem espaços públicos, construírem prédios, precisam pensar: onde suicídios podem ocorrer e como evitá-los? Entre outras profissões, como policial, bombeiro: precisam saber como agir nestas situações.
  • Comunidade – não apenas o posto de saúde, mas ONGs, igrejas, entre outros. Podem e precisam ajudar a prevenir o comportamento do suicida.

O que fazer quando a pessoa está em risco de cometer o suicídio?

  • Levá-lo a uma equipe de saúde para ajudar a família na orientação do caso: geralmente, o psicólogo e o psiquiatra trabalham em conjunto.
  • Oferecer segurança ao paciente – ter sempre alguém com ele;
  • Retirar da casa medicamentos potencialmente letais, armas brancas e armas de fogo;
  • Manter abstinência de álcool e drogas;
  • Evitar locais elevados e sem proteção;
  • Evitar que o paciente fique sozinho ou trancado em um recinto;
  • Pode ser realizado um contrato de “não-suicídio” (verbal ou escrito), que consiste em o paciente concordar em não realizar auto-agressão (isto pode ser feito com o profissional da saúde e com a família)
  • Diálogo, pois quando a pessoa estiver com vontade suicida, deve avisar a família.

Isto são apenas algumas formas de tentar evitar o comportamento suicida, mas é importante reforçar: nunca teremos o controle do comportamento do outro. Sempre teremos a nossa limitação.

Enfim, diria que a palavra-chave é: dialogar. O assunto é extenso e precisa ser sempre abordado e estudado. Para aqueles que estão passando por este momento, não tenham receio ou vergonha de procurar atendimento. Os profissionais da saúde estudaram e trabalham para ajudar pessoas nestas situações.

Há instituições especializadas em lidar com o suicídio: uma delas é o CVV (Centro de Valorização da Vida) – Site: http://www.cvv.org.br/ ou Disque: 141

Referências:

NETTP BERENCHTEIN, N. Capítulo 1. Parte 1. O Suicídio e os desafios para Psicologia. Conselho Federal de Psicologia. Brasília: CFP, 2013. Disponível em: http://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2013/12/Suicidio-FINAL-revisao61.pdf

WERLANG, B. Capítulo 2. Parte 1. O Suicídio e os desafios para Psicologia. Conselho Federal de Psicologia. Brasília: CFP, 2013. Disponível em: http://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2013/12/Suicidio-FINAL-revisao61.pdf

RIGO, S. C. Capítulo 3. Parte 1. O Suicídio e os desafios para Psicologia. Conselho Federal de Psicologia. Brasília: CFP, 2013. Disponível em: http://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2013/12/Suicidio-FINAL-revisao61.pdf

Cartilha “Falando abertamente sobre suicídio”, desenvolvida pelo CVV, traz informações sobre o tema e sobre como ajudar alguém com ideação suicida, disponível em: http://www.cvv.org.br/images/stories/saibamais/falando_abertamente_sobre_suicidio.pdf

Amanda Fornaciari Augusto – Psicóloga CRP 06/118369

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