Está tudo bem. Mas será?

Você já teve aquele dia em que acordou e parecia que estava tudo bem? Você não tinha motivos para reclamação… Estava tudo ok. Até que de repente alguém te pergunta: “Mas está tudo bem mesmo?”. E você simplesmente começa a chorar ou/e a falar um monte de coisas que estão te incomodando há um tempo (ou há muito tempo). Isto nos mostra que o nosso corpo fala; as pessoas ao nosso redor percebem que há algo incomum ou forçado em nosso comportamento. Por isso, a resposta “Está tudo bem”, não faz sentido.

Mas por que isto acontece? Isto pode ocorrer por diversos fatores, cada caso precisa ser analisado. Mas, geralmente há uma questão em comum que se chama resistência. Por isso, dizemos que estamos bem, mas no fundo não estamos. E quando choramos e falamos sobre isto, podemos dizer que de certa forma, esta resistência foi “quebrada” por um momento. Mas o que é resistência?

De forma resumida, a resistência é algo natural que ocorre quando ser humano está presente por algum tipo de ameaça. Como RIBEIRO (2007, p.73) exemplifica abaixo, a resistência é

” (…) como uma forma de se ajustar a uma nova situação. A resistência, é por natureza, a atualização do instinto de auto-preservação. E o organismo inteligentemente segue a lei da preferência. Resistência é uma forma de contato que não pode ser destruída, mas administrada, porque ela surge como uma defesa da totalidade vivenciada pela pessoa. A Resistência é, às vezes, resistência e awareness mais que ao contato. Ela revela mais o caminho seguido do que oculta a caminhada feita”.Freud

Para a psicanálise a resistência “(…) é uma barreira que precisa ser vencida e removida pelo terapeuta” (RIBEIRO, 2007, p. 78), pois a resistência é um dos mecanismos de defesa que temos para não entrarmos em contato direto com aquilo que de certa forma nos incomoda. Estes mecanismos buscam nos auxiliar, mas pode nos trazer alguns prejuízos se ficarmos apenas com este olhar, ou seja, (por exemplo) fingir que está tudo bem, mas você sabe que não está. Negamos a realidade com o objetivo de esconder a nossa dor ou sofrimento (a negação é um mecanismo de defesa), mas isto pode não trazer boas consequências.

Afinal, aquela história de que colocar os problemas embaixo do tapete é a melhor solução, muitas vezes não é a melhor saída. Imagina se fizermos isto a vida inteira! Haverá um momento que não conseguiremos pisar mais no tapete de tanta poeira ou até outras coisas a mais! E isto ocorre com a nossa mente também.

Portanto, não queira se enganar! Seja sincero com os seus sentimentos, seja sincero com você! A psicoterapia é uma forma de te auxiliar neste processo de autoconhecimento.

Claro que haverá dias bons! E como dizia Freud: “Às vezes, um charuto é apenas um charuto”. Também não precisamos complicar as situações.

Link do artigo: http://www.scielo.br/pdf/ptp/v23nspe/13.pdf

Amanda Fornaciari Augusto – Psicóloga CRP 06/118369

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