Você conhece o Programa Mãe-Canguru?

Para você que não conhece o Programa Mãe-Canguru vale a pena conhecer e entender a sua importância! É um programa que é considerado internacionalmente benéfico ao recém-nascido que nasceu antes do tempo.

O bebê que nasce com menos de 37 semanas é nomeado como prematuro e para aqueles que nascem com menos de 28 semanas é considerado uma imaturidade extrema. Nestes casos, o bebê nasce geralmente com baixo peso, dificuldade de respirar e desta forma há um alto risco de morte neonatal. Quando isto ocorre a maioria das famílias ficam em estado de estresse, pois a expectativa é nascer um bebê saudável – você pensa em vida e não em morte. Assim, o vínculo entre a mãe e o bebê pode ser afetado (MOREIRA et al, 2009).

Antigamente o tratamento para os bebês prematuros eram exclusivamente a incubadora na UTI (na maioria dos casos). Esta prática além de ser cara, separa a mãe e o recém-nascido, “dificultando o início adequado do aleitamento materno, e mecanizam a assistência, reduzindo o contato humano entre as mães, os filhos e os profissionais de saúde” (CARVALHO, 2001, p. 9).

Assim, surge o Programa Mãe-Canguru com o objetivo de melhorar o desenvolvimento do bebê prematuro. O desenvolvimento do bebê está associado ao vínculo afetivo entre a mãe e o bebê. O método Mãe Canguru foi criado em 1979 pelos doutores Edgar Rey Sanabia e Héctor Martínez do Hospital San Juan de Dios – Instituto Materno-Infantil (IMI) de Bogotá, na Colômbia (MOREIRA et al, 2009). No Brasil, o programa surgiu em 1994 no Instituto Materno-Infantil de Pernambuco (IMIP) que era conduzido pela Dra. Geysi Lima.

As principais estratégias do Programa Mãe-Canguru são:

  • Diminuição do tempo do bebê na incubadora;
  • Colocação do bebê no colo da mãe em posição de canguru, ou seja, contato pele-a-pele e em posição vertical para prevenir o refluxo e aspiração pulmonar e;
  • Quando possível a alimentação é realizada no seio – portanto há uma valorização do aleitamento materno.

“Em síntese: amor, calor e aleitamento materno são a essência do Programa Mãe-Canguru” (CARVALHO, 2001, p.8).

Tudo isso promove os seguintes benefícios:

“ a) aumenta o vínculo mãe-filho;

b) diminui o tempo de separação mãe-filho, evitando longos períodos sem estimulação sensorial;

c) estimula o aleitamento materno, favorecendo maior frequência, precocidade e duração da amamentação;

d) proporciona maior competência e amplia a confiança dos pais no manuseio do seu filho de baixo peso, mesmo após a alta hospitalar;

e) favorece um controle térmico melhor;

f) reduz o número de recém-nascidos em unidades de cuidados intermediários devido à maior rotatividade de leitos;

g) proporciona um relacionamento melhor da família com a equipe de saúde;

h) favorece a diminuição da infecção hospitalar;

i) diminui a permanência hospitalar (CARVALHO, 2001, p.36) ”.

Por que é tão importante o vínculo entre a mãe e o bebê? O fato é que um bebê não pode existir sozinho, ele é parte de uma relação. A palavra que está relacionada aos bebês é dependência, pois eles só começam a ser a partir de determinadas condições. Sendo que no início, a dependência é total, eles necessitam de uma mãe (biológica ou não) que esteja identificada com eles e com isto consiga atender prontamente às suas necessidades (Winnicott, 2008).

É importante ressaltar que este procedimento deve ser proposto, não imposto, pois há mães que não estão preparadas para realizar este tipo de técnica. O programa deve ser realizado com uma equipe de saúde treinada para estes tipos de situação. Portanto, esse programa veio com o objetivo de trazer mais humanização na saúde. Ainda temos muitos desafios a serem cobrados em questão de humanização. Mas não podemos descartar que este foi um passo muito importante para a nossa saúde pública.

Referências:

. CARVALHO, Marcus Renato de. Método mãe-canguru de atenção ao prematuro / Marcus Renato de Carvalho; Marta Prochnik – Rio de Janeiro: BNDES, 2001. Link: www.saude.pr.gov.br/arquivos/…/5mae_canguru_bndes_social1.pd

. Ministério da Saúde 2002. Atenção humanizada ao recém-nascido de Baixo Peso – Método Mãe-Canguru – Manual Técnico. Brasília. Link: bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/Manual_MetodoMaeCanguru.pdf

. MOREIRA, J. O., ROMAGNOLI, R.C., DIAS, D.A.S., MOREIRA, C.B. Programa mãe-canguru e a relação mãe-bebê: pesquisa qualitativa na rede pública de Betim. Psicologia em Estudo, Maringá, v. 14, n.3, p. 475-483, jul/set. 2009. Link: www.scielo.br/pdf/pe/v14n3/v14n3a08.pdf

. Winnicott, D. W. (2008). A criança e seu mundo. Rio de Janeiro, RJ: LTC – livros técnicos e científicos Ltda. (Publicado originalmente em 1957).

Amanda Fornaciari Augusto – Psicóloga CRP 06/118369

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Meu filho não aprende. Como posso ajudá-lo?

Antes de afirmar que a criança não aprende na escola, é importante verificar o que ela não aprende. O cérebro da criança está em intenso desenvolvimento desde que nasceu e ele cria uma plasticidade com o tempo. Portanto, por exemplo, não adianta exigir que a criança de 6 anos saiba tabuada ou uma de 4 anos saiba escrever. O seu cérebro ainda não criou a plasticidade necessária para compreender estas situações. Não há uma dificuldade de aprendizagem, mas a criança simplesmente está em processo de desenvolvimento (KOLB, B., WISHAW, I. Q., 2002).

A primeira ajuda que os pais podem fazer é:

  1. Tome cuidado ao rotular as crianças. Às vezes, pode ser até como uma brincadeira, mas ao chamar, por exemplo, de burro ou lento isto faz com que a criança fique com uma baixa autoestima. Tente entender o motivo dela estar apresentando determinadas dificuldades.
  2. Esteja presente na educação dos filhos. Veja o que ele aprende e se ele compreende.

O item 2 citado acima é algo fundamental. A educação é uma via de mão dupla – os pais e a escola são responsáveis pela educação. Um exemplo pessoal é que quando eu era criança sempre dizia a professora que estava entendendo tudo, mas quando chegava em casa eu tirava todas as dúvidas com a minha mãe. Eu tinha vergonha de perguntar. E minha mãe estranhou: como a escola fala que eu estou indo bem, se quando eu chego em casa tenho várias dúvidas? Quando minha mãe observou esta situação, ela foi até a escola conversar com a professora e depois conversou comigo e disse que eu posso e devo tirar minhas dúvidas na sala de aula. Com isto, a professora ficou mais próxima de mim e meu rendimento escolar começou a melhorar.

Acredito que alguns de vocês começaram a perceber que a dificuldade de aprendizagem não está sempre relacionada a um distúrbio, a um problema cognitivo, ou seja, não é mandatório que a criança deva ir ao médico e tomar uma medicação. Geralmente, ela ocorre devido a situações negativas de interação social. Os pais precisam estar atentos com as seguintes questões:

  • Meu filho está adaptado à escola?

Algumas vezes as crianças não se adaptam por diversos fatores. No início pode ser difícil, pois a criança está acostumada com o ambiente familiar e depois ao entrar na escola, ela tem um estranhamento. Por isto, é importante que a família incentive a escola de forma positiva para a criança. E claro, a escola também precisa cumprir o papel de forma positiva.

  • Meu filho tem boas amizades na escola?

Às vezes, a criança é isolada por outros colegas ou esteja sofre bullying e isto afeta o seu aprendizado e sua autoestima.

  • Meu filho está passando por algum momento difícil?

Ou seja, a criança está vivenciando a separação dos pais? Muitas vezes, os pais acham que a criança não sabe de nada, mas elas percebem quando há uma mudança na casa. Outro fator, a criança está doente? Já vi casos em que a mãe estava preocupada, pois seu filho não sabia ler, tinha muitas dificuldades. E a primeira pergunta foi: “Você já o levou ao oftalmologista? ”. Resultado: a criança tinha miopia de 6 graus! Realmente não teria como ela ler. Por isso, é importante ficar atenta até com pequenos detalhes.

Ok, agora vamos dizer que nenhum fator psicossocial esteja afetando o desenvolvimento escolar. Podemos então, pensar na possibilidade de ser algo cognitivo. Mas é importante salientar que o problema cognitivo tem o início desde a infância, ele não surge de repente. Digo isto, porque há muitas crianças sendo diagnosticadas com dislexia, Transtorno de Ansiedade e Déficit de Atenção (TDAH) de forma equivocada. Muitas vezes, as pessoas associam a dificuldade de aprendizagem com a indisciplina (CHECHIA, V.A, ANDRADE, A.S., 2005). E este é um grande perigo, pois para alguns é muito mais fácil dizer que a criança é indisciplinada por ter um problema cognitivo – então toma-se o remédio e pronto. Entretanto, não é desta forma que se ensina o que é disciplina para criança. Para quem deseja ter maior conhecimento sobre a medicalização da infância, segue o vídeo da psicóloga Lygia Viégas: https://vimeo.com/133062807

No próximo texto, abordarei especificamente a questão dos distúrbios de aprendizagem (dislexia, TDAH, entre outros). O psicólogo, psicopedagogo ou neurologista são profissionais que podem te orientar e tratar estes casos.

Referências:

KOLB, B., WISHAW, I. Q. (2002). Neurociência do comportamento. São Paulo: Ed. Manole.

CHECHIA, V. A., ANDRADE, A. S. O desempenho escolar dos filhos na percepção de pais de alunos com sucesso e insucesso escolar. Estud. psicol. (Natal). 2005, vol.10, n.3, pp. 431-440. Link: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-294X2005000300012&script=sci_arttext

Amanda Fornaciari Augusto – Psicóloga CRP 06/118369

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Os sentimentos ocultos na maternidade

Para algumas mulheres ser mãe é um grande sonho. Ainda mais quando olhamos aquelas propagandas com aqueles bebês fofos… E os comerciais nos dizem que é só comprar a fralda X que tudo ficará mais prático. Mas na verdade não é só isto, não é mesmo?

Ser mãe é para vida inteira. Parece óbvio o que estou dizendo, mas é sobre estes assuntos que acabamos não refletindo direito. Quando você se torna mãe – biológica ou não – há uma mudança de identidade, você não será mais vista como filha, mas sim como mãe. Falar de maternidade é falar sobre renovação, ou seja, sobre vida e ao mesmo tempo perdas. Pois há uma mudança na rotina da mulher e ela terá uma nova identidade: ser mãe – algo que trará mais responsabilidades. Portanto, há um luto.

Por isto, é importante você, que é mãe ou será mãe, dar um tempo para você se adaptar, pois muitas vezes não mudamos do dia para noite. Não há um manual de como ser mãe, pois sabemos que não há mães perfeitas. E não se sinta mal por não ser perfeita, ninguém é perfeito.

Assim, chegamos aos dois pontos sobre ser mãe, um ponto que geralmente é abordado pela mídia e pela família:

  1. A idealização da mãe – é a quem cuida, alimenta, sustenta, supera qualquer coisa, entre outras.

E o segundo ponto que já não é tão conversado.

2.  A mãe também é ser humano – tem dia que ela não está bem, está cansada, sente raiva, está triste, entre outros.

Estes são os dois lados da mãe que devem ser considerados. Por isso, é importante o apoio da família, amigos, do cônjuge. Além disso, não deixe de informar o seu ginecologista sobre o que você está sentindo, ele também poderá te ajudar – pois durante a gravidez e alguns dias após ao parto ocorrem alterações hormonais nas mulheres e o humor pode ficar alterado.

Portanto,

  • Se a melancolia surgir depois de alguns dias do parto, mas depois sumir em algumas semanas de forma espontânea, pode ficar tranquila. Este episódio pode ser conhecido como Baby Blues.
  • Entretanto, se a tristeza surgir a partir de algumas semanas e durar mais tempo e se agravar, podendo fazer com que mulher tenha dificuldades de fazer suas tarefas do seu dia a dia – pode ser diagnosticada com Depressão Pós-Parto. Por isto, procure um profissional da saúde para te ajudar. Há tratamento!

Enfim, a ideia do texto foi abordar os sentimentos que a mãe pode ter e geralmente não são abordados. Antes de ser mãe, a mulher é ser humano, então ela sorri, chora, se sente alegre, triste, feliz… Ser mãe não é abdicar totalmente dos seus outros papéis, claro que haverá uma maior atenção com o bebê – mas é preciso continuar sendo mulher, filha… É importante continuar cuidando de si, mesmo se for durante 5 minutinhos (espero que você consiga mais tempo!).

Para maiores informações sobre o Baby Blues e a Depressão Pós-Parto segue um link do Instituto de Psicologia da USP bem interessante e didático:

www.ip.usp.br/portal/images/stories/lefam/ATT00026.pdf

Observação:

Qualquer dúvida procure um profissional da saúde! Neste caso específico, um psicólogo, um psiquiatra ou ginecologista poderá te dar um direcionamento para estes casos citados acima.

Amanda Fornaciari Augusto – Psicóloga CRP 06/118369

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