Livro: “Como Nico se sente?”

Por: Ane Caroline Janiro

Parceiro: Psicologia Acessível

Mais uma boa dica de livro para trabalhar as emoções com as crianças!

“Como Nico se sente?” é um livro de encaixe e vem com 5 carinhas diferentes que retratam as emoções: feliz, triste, bravo, preocupado/confuso e surpreso.

Pode ser usado tanto em casa, quanto na escola ou mesmo no consultório ao trabalhar as emoções.

Veja a sinopse:
Ofereça às crianças a experiência única de Leia e Brinque! Ao encaixar as peças nas páginas do livro, as crianças podem decidir o que deixa Nico feliz, triste, zangado, confuso ou preocupado conforme ele passa pelos altos e baixos da pré-escola, é uma maneira incrível para as crianças compartilharem e conversarem sobre seus próprios sentimentos!”

O bacana é justamente o fato de a criança poder interagir com o livro, decidindo qual emoção Nico sente em cada momento da história e aprender mais sobre estas situações e sentimentos. Além disso, é um ótimo estímulo visual e tátil (e claro, da criatividade).

No livro, Nico está passando por vários episódios na fase da pré-escola, o que também é uma oportunidade para a criança se identificar e elaborar este momento de sua vida.

“Como Nico se sente?” é um livro da Editora Todo Livro e faz parte da coleção Leia e Brinque (que inclusive, é muito interessante!).
A quem se interessar, ele está disponível para ser adquirido nas principais livrarias do país (lojas físicas e online).

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Afinal, o que é TDAH?

Antes de iniciar este texto, aconselho você a ler primeiramente o post “Meu filho não aprende. Como posso ajudá-lo?”, pois este é continuação sobre o assunto anterior.

Vivemos em um mundo muito acelerado e a internet é uma forma de nos mostrar isto. Em menos de 1 segundo conseguimos várias informações pela internet e a televisão também nos bombardeia de conteúdo. E, às vezes, com tanta informação sendo direcionada a nós, precisamos saber o que queremos selecionar e nos concentrar em determinadas informações.

Com isto, a pessoa que possui o Transtorno Déficit de Atenção e Hiperatividade – mais conhecido como TDAH – se sente isolada deste mundo, com isto, muitas vezes presenciamos estas pessoas com uma baixa autoestima.

Afinal, o que é TDAH?

O TDAH é um transtorno de origem genética e que ocorre desde a infância e se relaciona com três características: desatenção, impulsividade e hiperatividade (ROHED, 2004). Então, como observar este tipo de comportamento nas crianças?

A criança naturalmente pode apresentar estes comportamentos, pois como ter atenção naquela matéria que você não gosta? Como deixar a criança em silêncio? Sendo que nesta fase ela possui muita energia! A palavra-chave seria: excesso. E como perceber que a criança está mais agitada, com uma maior desconcentração? A sala de aula é uma ótima forma de observar isto, pois assim você consegue comparar com outros alunos. Por isto, é importante a participação do professor e da escola. Mas atenção: a criança/o adulto não possui problemas para se concentrar naqueles casos que tem bastante estímulo, por exemplo, jogar vídeo-game. Mas se colocá-los em situações que exigem um comportamento mais monótono e por um longo período de tempo, por exemplo, estudar, o indivíduo terá uma maior dificuldade.

O “excesso” não ocorre de forma eventual, mas sim frequente. Quem tem TDAH não tem o transtorno apenas na escola, é preciso que este tipo de comportamento ocorra tanto no ambiente familiar quanto na escola. A pessoa com TDAH tem desde que nasceu, entretanto, estes comportamentos são mais observados a partir dos 7 anos.

O TDAH não tem cura, mas possui tratamento para amenizá-lo. Para isto é necessária a medicação que geralmente é psicoestimulantes, como por exemplo, o metilfenidato, mais conhecido com ritalina. Esta medicação só pode ser receitada pelos médicos – normalmente psiquiatras. Mas o tratamento deve ser além de medicamentoso, é preciso também um tratamento psicossocial. O psicólogo ajuda a pensar em estratégias para lidar com o transtorno; contribui na modificação do comportamento e busca elaborar as consequências da doença, pois algumas pessoas sofrem com dificuldade de relacionamento, depressão, entre outros (DESIDERIO e MIYAZAKI, 2007).

O diagnóstico assertivo é importantíssimo, pois as pessoas só podem ter acesso a esta medicação se tiverem realmente a doença, afinal a ritalina é uma medicação de uso controlado e o seu uso de forma indevida pode ter efeitos colaterais.

Portanto, se você acha que tem TDAH ou o seu filho, busque a ajuda de um psiquiatra e um psicólogo. Não se desatente neste sentido, cuide-se!

Referências:

Amanda Fornaciari Augusto – Psicóloga CRP 06/118369

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Meu filho não aprende. Como posso ajudá-lo?

Antes de afirmar que a criança não aprende na escola, é importante verificar o que ela não aprende. O cérebro da criança está em intenso desenvolvimento desde que nasceu e ele cria uma plasticidade com o tempo. Portanto, por exemplo, não adianta exigir que a criança de 6 anos saiba tabuada ou uma de 4 anos saiba escrever. O seu cérebro ainda não criou a plasticidade necessária para compreender estas situações. Não há uma dificuldade de aprendizagem, mas a criança simplesmente está em processo de desenvolvimento (KOLB, B., WISHAW, I. Q., 2002).

A primeira ajuda que os pais podem fazer é:

  1. Tome cuidado ao rotular as crianças. Às vezes, pode ser até como uma brincadeira, mas ao chamar, por exemplo, de burro ou lento isto faz com que a criança fique com uma baixa autoestima. Tente entender o motivo dela estar apresentando determinadas dificuldades.
  2. Esteja presente na educação dos filhos. Veja o que ele aprende e se ele compreende.

O item 2 citado acima é algo fundamental. A educação é uma via de mão dupla – os pais e a escola são responsáveis pela educação. Um exemplo pessoal é que quando eu era criança sempre dizia a professora que estava entendendo tudo, mas quando chegava em casa eu tirava todas as dúvidas com a minha mãe. Eu tinha vergonha de perguntar. E minha mãe estranhou: como a escola fala que eu estou indo bem, se quando eu chego em casa tenho várias dúvidas? Quando minha mãe observou esta situação, ela foi até a escola conversar com a professora e depois conversou comigo e disse que eu posso e devo tirar minhas dúvidas na sala de aula. Com isto, a professora ficou mais próxima de mim e meu rendimento escolar começou a melhorar.

Acredito que alguns de vocês começaram a perceber que a dificuldade de aprendizagem não está sempre relacionada a um distúrbio, a um problema cognitivo, ou seja, não é mandatório que a criança deva ir ao médico e tomar uma medicação. Geralmente, ela ocorre devido a situações negativas de interação social. Os pais precisam estar atentos com as seguintes questões:

  • Meu filho está adaptado à escola?

Algumas vezes as crianças não se adaptam por diversos fatores. No início pode ser difícil, pois a criança está acostumada com o ambiente familiar e depois ao entrar na escola, ela tem um estranhamento. Por isto, é importante que a família incentive a escola de forma positiva para a criança. E claro, a escola também precisa cumprir o papel de forma positiva.

  • Meu filho tem boas amizades na escola?

Às vezes, a criança é isolada por outros colegas ou esteja sofre bullying e isto afeta o seu aprendizado e sua autoestima.

  • Meu filho está passando por algum momento difícil?

Ou seja, a criança está vivenciando a separação dos pais? Muitas vezes, os pais acham que a criança não sabe de nada, mas elas percebem quando há uma mudança na casa. Outro fator, a criança está doente? Já vi casos em que a mãe estava preocupada, pois seu filho não sabia ler, tinha muitas dificuldades. E a primeira pergunta foi: “Você já o levou ao oftalmologista? ”. Resultado: a criança tinha miopia de 6 graus! Realmente não teria como ela ler. Por isso, é importante ficar atenta até com pequenos detalhes.

Ok, agora vamos dizer que nenhum fator psicossocial esteja afetando o desenvolvimento escolar. Podemos então, pensar na possibilidade de ser algo cognitivo. Mas é importante salientar que o problema cognitivo tem o início desde a infância, ele não surge de repente. Digo isto, porque há muitas crianças sendo diagnosticadas com dislexia, Transtorno de Ansiedade e Déficit de Atenção (TDAH) de forma equivocada. Muitas vezes, as pessoas associam a dificuldade de aprendizagem com a indisciplina (CHECHIA, V.A, ANDRADE, A.S., 2005). E este é um grande perigo, pois para alguns é muito mais fácil dizer que a criança é indisciplinada por ter um problema cognitivo – então toma-se o remédio e pronto. Entretanto, não é desta forma que se ensina o que é disciplina para criança. Para quem deseja ter maior conhecimento sobre a medicalização da infância, segue o vídeo da psicóloga Lygia Viégas: https://vimeo.com/133062807

No próximo texto, abordarei especificamente a questão dos distúrbios de aprendizagem (dislexia, TDAH, entre outros). O psicólogo, psicopedagogo ou neurologista são profissionais que podem te orientar e tratar estes casos.

Referências:

KOLB, B., WISHAW, I. Q. (2002). Neurociência do comportamento. São Paulo: Ed. Manole.

CHECHIA, V. A., ANDRADE, A. S. O desempenho escolar dos filhos na percepção de pais de alunos com sucesso e insucesso escolar. Estud. psicol. (Natal). 2005, vol.10, n.3, pp. 431-440. Link: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-294X2005000300012&script=sci_arttext

Amanda Fornaciari Augusto – Psicóloga CRP 06/118369

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